Panthera Declaração sobre a ameaças percebidas de encoleiramento Jaguars


Dr. Howard Quigley, Jaguar Panthera do Diretor Executivo do Programa, e Dr. Luke Hunter, presidente do Panthera, colar uma onça-pintada no Pantanal brasileiro.

É triste que existam rumores e mal-entendidos a respeito do trabalho de pesquisa da fundação Panthera no Pantanal. No Brasil nós trabalhamos sob a tutela de nossos parceiros CENAP (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros) e do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros, a organização não governamental que lidera os esforços de preservação de animais carnívoros selvagens no país. O CENAP executa, revisa e aprova todas as atividades de pesquisa que são propostas, e os cientistas de ambos, CENAP e Pró-Carnívoros trabalham juntos com os cientistas da fundação Panthera para manter os mais altos níveis de segurança e rigor científico.

O boato mais horrendo que precisa ser corrigido imediatamente é de que as coleiras com transmissores de rádio teriam causado a morte de onças pintadas. Isso é totalmente falso. Nenhum animal morreu ou foi prejudicado por nossas coleiras sinalizadoras. Estamos cientes de um animal (jaguar/onça macho) que foi fotografado com o que pareciam ser machucados por baixo da coleira. Os cientistas da Panthera examinaram essas fotos e não encontraram nenhuma evidência de machucados; acontece que é comum que a pele por baixo da coleira fique mais suja o que pode explicar a falsa impressão. O mesmo grande gato foi observado mais tarde por guias que notificaram que ele tinha melhor aparência e especularam que talvez seu pescoço estivesse inchado após uma briga quando teria sido inicialmente fotografado. (Nós não podemos saber se foi esse o caso, mas esta onça-pintada estava com certeza em excelentes condições de saúde nas fotos que examinamos e em fotos posteriores tiradas com armadilhas fotográficas.)

Noca (pronuncia-no-sa), mostrada aqui, é a primeira mulher jaguar colarinho e monitorados por Panthera através do Projeto Jaguar Pantanal. Esta foto mostra Noca colocação perto de um rio no Pantanal brasileiro um ano após sua encoleiramento. Durante o ano passado, os cientistas têm monitorado Panthera Noca movimentos e comportamento, que provaram que ela seja saudável, reprodutivamente receptivo e ativo. Clique aqui para saber mais sobre os movimentos de Noca desde sua encoleiramento.

Essa idéia de culpar as coleiras pela morte de animais é algo que já discutimos em outros projetos de nossas equipes, realizados em outras partes do mundo. Em parte acreditamos que as coleiras transmissoras nos permitem hoje achar os animais mortos, enquanto que antes dessas eles simplesmente desapareciam. Na mente de alguns observadores a conexão entre documentar a morte de onças e a presença das coleiras pode significar que os dois fatos se relacionem: “as onças morrem por causa das coleiras.” Mas não! Eles estão morrendo pelas mesmas razões que esses animais normalmente morrem: uma combinação de fatores naturais e a perseguição efetuada por pecuaristas, donos de gado; mas as coleiras agora provém uma forma de entender melhor essas causas.

É importante entender porque nós colocamos coleiras transmissoras em gatos selvagens. No Pantanal nosso objetivo é de melhor documentar a extensão até onde as onças criam conflito com as fazendas de gado. Quase 80% do Pantanal é usado para a pecuária e é um fato que as onças podem eventualmente atacar o gado. No entanto, fazendeiros locais frequentemente culpam as onças por todas as mortes de gado nos campos de pastagem e nós queremos investigar isso em detalhes.. Com as coleiras transmissoras, nós temos o único meio técnico possível de se produzir os dados científicos sólidos que precisamos para saber quais são as quantidades exatas de perdas reais de gado para as onças, assim como obter números precisos sobre quantos gatos selvagens podem ser mortos ilegalmente. Com essa informação em nossas mãos, nós podemos experimentar mudanças na técnica de proteção ao gado, tais como cercas elétricas, búfalos que guardam a manada, separação em currais protegidos para o gado jovem e vulnerável, e por aí em diante. Queremos demonstrar aos pecuaristas, que ainda possam estar relutantes, quais são as técnicas que podem realmente reduzir as suas perdas. Ao fazer isso, esperamos que possa ser estabelecida uma melhor relação de convivência entre pecuaristas e a onça. Se tivermos sucesso, no futuro as onças estarão mais seguras quando atravessarem as fazendas de gado.


Uma foto armadilha da câmera de um jaguar collared no Pantanal brasileiro.

É impossível obter essa informação apenas observando os animais ao longo dos rios ou colocando câmeras automáticas escondidas que fotografam onças e outros animais selvagens quando eles passam. Ambas as técnicas são úteis para prover alguma informação sobre o número de onças, especialmente as armadilhas fotográficas, que fornecem informações precisas para estabelecer as estimativas de densidade. Mas esses recursos não nos permitem responder a contento à questões a respeito dos conflitos entre as onças e os criadores de gado.. Nossas coleiras transmitem informações à distância, então podemos seguir as onças enquanto essas se deslocam pela paisagem; as coleiras indicam até mesmo mesmo o local e o momento precisos de quando uma onça morre, então mesmo que não possamos examinar pessoalmente um animal morto, podemos ter informações que alertem quando muitos estão morrendo em uma determinada região e, aí, investigar melhor quais as causa dessas mortes. Não há como obter esse mesmo tipo de informação simplesmente observando onças por algumas horas por dia na beira dos rios, essa informação é preciosa e é essencial para se lidar com a questão do conflito homem x predador.

Finalmente, é um erro achar que as coleiras vão ficar no animal por toda a sua vida. Nossas coleiras são desenhadas com um dispositivo que faz com que elas se desprendam automaticamente depois de um período estipulado de dois anos. Isso significa que não temos que capturar um animal pela segunda vez para remover a coleira.

Os cientistas da fundação Panthera já capturaram centenas de felinos selvagens de muitas espécies diferentes em todos os continentes do mundo onde esses animais aparecem. Nós colocamos o mais alto valor na segurança total dos animais e temos muitas décadas de experiência em grupo para assegurar que esse processo seja realizado dentro dos padrões mais altos de segurança. É triste que sejamos ocasionalmente representados como “cientistas sem coração” interessados apenas em dados quando na realidade cada um de nossos biólogos faz sacrifícios pessoais e se coloca em situações de risco ao trabalhar com espécies selvagens, simplesmente porque nós realmente os amamos profundamente. Ao prosseguir com processos científicos rigorosos, nós temos esperança de garantir a continuidade de sua existência, para que as gerações futuras também tenham a possibilidade de continuar a amá-los.

Luke Hunter, PhD
President
PANTHERA

Saiba mais sobre Corredor de Panthera Jaguar Initiative.

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